Enóloga Lúcia Freitas

Digo frequentemente que ser enóloga não é uma profissão, mas um modo de vida, sendo no entanto bastante compensador!

Lúcia Freitas, enóloga,natural de Viseu começou apenas com 25 anos, embora desde sempre tenha contacto com o mundo do vinho. É de uma pequena vila do Dão e o seu avô é um pequeno produtor da região, tendo desde sempre participado nas atividades da vinha e do vinho. Esta área sempre lhe despertou muita curiosidade. Atualmente integra o projeto Magnum.

Qual o seu percurso profissional?
Após concluir o meu curso de Química trabalhei durante dois anos num laboratório, que embora fosse uma profissão aliciante e com uma forte componente de investigação, deu para me aperceber que não gostava da rotina e de estar “fechada” dentro de um laboratório. Comecei a trabalhar no laboratório da Dão Sul e no mesmo ano comecei a desempenhar funções na área da enologia.

Como enóloga quais foram os seus maiores desafios?
Esta profissão é muito exigente em termos de tempo e dedicação. Não existem horários ou feriados ou fins-de-semana definidos e como é um trabalho muito social muitas vezes temos que o integrar na nossa própria vida. Torna-se quase impossível separar a vida pessoal da profissional. Digo frequentemente que ser enólogo não é uma profissão, mas um modo de vida. É no entanto bastante compensador!

O que acha mais relevante na evolução do Mercado dos vinhos nos últimos anos?
Teve uma evolução bastante positiva. A qualidade média aumentou e os preços estão cada vez mais acessíveis ao consumidor comum. A procura de informação e vontade de saber também é cada vez maior e isso ajuda a que as pessoas consigam distinguir os vinhos não só pelo preço mas também pela qualidade.

O que acha do serviço de vinho nos restaurantes?
Apesar de estar a melhorar ainda tem algumas falhas. Se por um lado hoje em dia os restaurantes tratam melhor o vinho em termos de conservação e de copos de serviço, ainda falta alguma formação ao pessoal dos restaurantes. Isto está a mudar lentamente, mas é um fator essencial.

O que pensa do serviço de vinho a copo?
Penso que é uma excelente ideia. Permite ao consumidor provar vinhos que de outra forma não poderia, por serem demasiado caros, ou harmonizar diversos pratos com os vinhos que melhor se enquadram ao invés de ter que pedir apenas uma garrafa para acompanhar entradas, prato principal e sobremesa. No entanto é essencial a tal formação aos restaurantes para que saibam conservar devidamente o vinho depois de aberto, para que ele não perca qualidades.

Qual a experiência em restaurante que melhor a impressionou?
Gosto muito de comer e experimentar restaurantes diferentes, por isso é difícil escolher… talvez o sushi do restaurante Kinoshita em São Paulo. Mas também tive excelentes experiências em Portugal, por exemplo no Porto destaco o Pedro Lemos, o Foz Velha ou o mais simples Forneria de São Pedro. Em Lisboa a Tasca da Esquina, o Largo ou o Ramiro.

Qual foi o vinho que provou que mais a sensibilizou?
Adoro vinhos antigos. Para mim a sensação de beber um vinho com mais de 100 anos é indescritível! Fazer vinhos que se aguentem vários anos é uma arte e espero que daqui a 20 anos os meus vinhos ainda estejam bem conservados! Destaco o Andresen Porto Colheita 1910, um vinho absolutamente divinal.

O que acha da evolução da penetração dos vinhos Portugueses no Mercado mundial?
Também aqui há melhorias. As exportações estão a aumentar e mais importante do que isso está a aumentar o preço médio de venda. Portugal não tem escala para competir com os maiores países produtores em termos de preço, por isso devemo-nos focar nos vinhos premium, tendo sempre uma excelente relação preço qualidade. Vender no estrangeiro exige um grande investimento por isso só vale a pena se tiver um bom retorno.

Fonte: Alivetaste

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